Presidente do Senado disse estar ‘aberto ao diálogo’, mas admitiu dificuldade para acordo sobre as mudanças; senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) afirma que sugestão da Câmara é ‘inviável’
Em conversa com jornalistas, Pacheco minimizou a crise no Legislativo e disse não haver nenhum tipo de “impasse que envolva disputa de poder, atribuições ou prerrogativas”. Segundo ele, o diálogo com Lira foi “cordial e equilibrado” e um “momento de bom entendimento em relação ao estabelecimento da ordem constitucional. “Cumprimento a Câmara por entender que as comissões mistas precisam existir, de acordo como a Constituição Federal determina”, afirmou, se comprometendo a levar aos líderes do Senado Federal a demanda dos deputados e dar uma resposta “quanto antes”. “Temos reunião prevista para 9h de quinta-feira. Importante que essa matéria seja submetida a todos os líderes do Senado”, ponderou. No entanto, Rodrigo Pacheco disse que a ideia de ampliar o número de deputados nas comissões mistas pode causar um desequilíbrio. “Sempre avaliei essa composição desequilibrada de mais deputados e menos senadores em uma comissão mista do Congresso Nacional com muita reserva”, disse. Ele também defendeu o “peso igual entre as duas Casas” e afirmou que a paridade é uma regra aplicada em outras comissões e há mais de duas décadas. O argumento de Pacheco é defendido, por exemplo, pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do governo Lula no Congresso. Após reunião na residência oficial do Senado, o parlamentar do Amapá ressaltou a importância de as comissões mistas se manterem com a mesma quantidade de deputados e senadores.
“Temos que estar aberto ao diálogo, as posições que sejam razoáveis, vamos ouvir. O que estou apresentando é uma dificuldade que existe, considerando que a paridade é uma regra que se aplica às demais comissões mistas”, ponderou Pacheco. Ao site da Jovem Pan, o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a retomada do rito constitucional, que prevê a existência das comissões mistas, disse não considerar as mudanças propostas pelos deputados viável. Isso porque, em sua avaliação, a alteração no número de membros da Câmara alteraria o sistema bicameral, previsto na Constituição e que “exige equilíbrio entre as Casas”. “As comissões deliberam por voto simples, exigindo um número igual de integrantes de casa”, mencionou o senador à reportagem. Ele também disse acreditar que a proposta de Lira “já foi descartada” pelos colegas do Senado. “O modelo [atual] está previsto na Constituição, não vejo necessidade de mudança”, conclui.
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