Quando a polícia chegou, os vizinhos já tinham rendido o agressor. Ele tentou se matar, foi levado para um hospital e passou por uma cirurgia.
Um agressor de 18 anos invadiu nesta terça-feira (4) uma creche no interior de Santa Catarina. Com uma faca e uma adaga, o homem matou três crianças e duas funcionárias.
A pequena cidade de Saudades, no oeste de Santa Catarina, viveu um dia de terror. Aline mora em frente à creche e é professora de lá.
“Eu estava dentro de casa e eu escutei gritos de pedido de socorro, eram muito fortes. Então eu saí para fora, daí eu vi as meninas, minhas colegas, pedindo socorro, para ligar para a polícia. Eu consegui ligar para a polícia. Então, as meninas começaram a trazer os feridos para fora, eu consegui levar um menino para o hospital, e ele estava bem ferido. Então é muita tristeza, não tem nem palavras, porque eu perdi colegas”, contou a professora Aline Biazebetti.
Eram 10h quando o homem de 18 anos chegou de bicicleta e invadiu a creche municipal armado com uma faca e uma adaga - uma espécie de espada com lâmina mais curta. A primeira pessoa que ele encontrou foi a professora Keli Adriane Aniecevski. Mesmo ferida, a professora correu para uma sala onde estavam quatro crianças e a agente educativa Mirla Renner, de 20.
O homem chegou até a sala e continuando os ataques, matando a professora Keli e três crianças: Sara, de 1 ano e 7 meses; Ana Bela, de 1 ano e 8 meses; e Murilo, de 1 ano e 9 meses. A agente educativa Mirla ainda foi socorrida, mas não resistiu.
“Muito educada. Ela tinha como prioridade ter as pessoas que ela ama perto. Uma pessoa muito querida”, diz Viviane Ternus, prima de Mirla.
O único sobrevivente que estava na sala tem 1 ano e 8 meses. A criança teve cortes no rosto e um pulmão perfurado e passou por uma cirurgia.
A creche Aquarela atende 80 bebês de até dois anos de idade. Nesta terça (4), 20 deles estavam lá, com cinco professoras. Colegas de trabalho contaram à professora Aline que se trancaram com as crianças.
“Minha amiga trabalha com a turma dos bebezinhos bem pequenos. Então elas conseguiram, elas viram que estava acontecendo alguma coisa, elas conseguiram levar todos para o fraldário e uma professora conseguiu segurar a porta. Ele tentou abrir, mas daí, no fim, ele acabou desistindo. Elas começaram a fechar as janelas para tentar se proteger”, conta Aline.
Quando a polícia chegou, os vizinhos já tinham rendido o assassino. Ele tentou se matar, foi levado para um hospital e passou por uma cirurgia. Os policiais encontraram as embalagens das armas na casa dele. O material tinha sido comprado pela internet.
O delegado diz que o agressor não tem registro criminal. A polícia já começou a ouvir testemunhas.
A materialidade está clara, a autoria está clara, a única coisa que a gente não tem é exatamente o motivo que o levou a fazer isso. O motivo de qualquer forma, ele é um motivo torpe”, diz o delegado Jerônimo Marçal.
Fonte: Rede Globo